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11 abril, 2013

Jornalistas x Assessores de Imprensa





Confesso que me sinto estranha em escrever um título desses e já explico o motivo. Antes preciso dizer que valorizo muito a formação de nível superior para qualquer profissão, mas confesso que tem coisas que conseguem me fazem repensar o diploma em Jornalismo, porque demonstram que em alguns casos o estudo não garante aprendizado. E entre essas coisas está a confusão que alguns jornalistas fazem com as nomenclaturas, razão pela qual achei estranho escrever o presente título. Primeiro que jornalismo é uma profissão e assessoria de imprensa é função dessa profissão, uma das muitas funções, aliás, portanto um jornalista não pode exercer a “profissão” de assessor de imprensa. Faça o que eu não consegui fazer: se finja de cego se ler isso algum dia. Para ficar claro, todo assessor de imprensa é jornalista, mas nem todo jornalista é assessor de imprensa, alguns são fotojornalistas, outros são repórteres, outros são apresentadores, outros, redatores, enfim. Da mesma forma nem todo radialista é jornalista. Há diferenças entre as profissões, diferenças não só de nomenclatura, mas de atribuições, e unidades sindicais e representativas distintas. Todo jornalista é radialista, mas nem todo radialista é jornalista. E isso continua sendo assim, porque mesmo com a decisão (inconstitucional) do STF, os Sindicatos dos Jornalistas de todos os estados brasileiros e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) não emitem registro profissional sem apresentação de diploma de ensino superior em Jornalismo. 

Agora vamos à função de assessoria de imprensa
O que é uma assessoria de imprensa? É o serviço prestado a instituições públicas e privadas, que se concentra na elaboração e envio frequente de informações jornalísticas dessas organizações para os veículos de comunicação em geral e é feito por jornalistas, eles é que determinam o que é ou não notícia para ser enviado, além de capacitarem o assessorado para entender e lidar com a imprensa. Não é fácil desempenhar a função, mesmo que o assessorado tenha noção de mídia. Geralmente o jornalista que atua como assessor de imprensa entende a necessidade informativa dos veículos de imprensa, mas ao mesmo tempo precisa atender aos anseios do assessorado, seja ele público ou privado. Hoje é difícil existir um órgão que não tenha uma assessoria de imprensa, é ela que garante que a marca e/ou produto de uma empresa esteja nos principais veículos de comunicação, e que a população fique por dentro das principais ações dos governos municipais, estaduais e federal. Sem as assessorias de imprensa os veículos de comunicação teriam que trabalhar dobrado, ter um quadro muito maior de profissionais para atender a demanda e ainda assim não conseguiriam a mesma quantidade de notícias.

Mas essa função jornalística tem credibilidade?
Como a função da assessoria de imprensa é promover e manter uma imagem positiva de seus assessorados há quem coloque em dúvida a seriedade do jornalista que a desempenha. Isso pode ser compreensível vindo de quem não é da área, mas é correto um jornalista dizer isso? Um assessor de imprensa não é um jornalista sério? Para responder isentamente a essa pergunta, conversei Pedro Osório, jornalista, especialista em Sociologia, mestre em Comunicação Social e presidente da Fundação Cultural Piratini, além de ter sido meu professor de Assessoria de Imprensa na Unisinos. Pelo Facebook ele me respondeu: “É incorreto e afronta a ética. Há quem diga que repórter e assessor representam interesses antagônicos. São retrógrados, os que acham isso. O jornalista assessor de imprensa desempenha um papel de grande relevância social, disponibilizando informações, articulando o discurso de variados grupos, praticamente dando-lhes voz, na medida em que a faz chegar à mídia. Por certo defende determinados interesses, balizado pela ética. Não trai a sociedade. Jornalistas que trabalham em veículos de comunicação também defendem determinados interesses, igualmente balizados pela ética. Nas duas funções temos profissionais que ignoram os preceitos éticos. O assessor representa uma organização ou um grupo social; o repórter (tomando-o como símbolo do jornalista de veículos) representa a sociedade, em tese. Isso pode lhe dar maior relevo, mas não o torna mais nobre, nem mais jornalista. Ele sempre precisará de determinadas fontes, e lá encontrará os assessores de imprensa”. Não é preciso dizer mais nada, porém quero salientar que em minha opinião o jornalista que não confia no trabalho de um assessor de imprensa, deve levantar o bumbum da cadeira e ir à labuta, em vez de esperar por seus releases prontinhos.

10 abril, 2013

O que é ser jornalista?


 
Nos últimos tempos tenho visto um interesse crescente das pessoas pelo Jornalismo e acompanhado discussões em blogs e redes sociais, além de ser frequentemente procurada por jovens triunfenses que desejam fazer faculdade de Jornalismo e querem conhecer melhor a profissão. Vejo também muita confusão a respeito do que é jornalismo, de como fazer jornalismo, quais suas funções, o que pode ou não um jornalista, quais os limites da imprensa e vejo, principalmente, muita confusão entre o que é prática jornalística e liberdade de expressão. Portanto, ao ser convidada para escrever essa coluna, resolvi esclarecer alguns equívocos e distorções, muitas vezes cometidos pelos próprios profissionais, por motivos que prefiro não cogitar. 

O jornalista não é um super herói, e para os que discordam ou ainda não sabem disso recomendo o livro Complexo de Clark Kent – São super homens os jornalistas?, de Geraldo Vieira Filho. Eu sei... Também me decepcionei um pouco quando o li, porque eu achava que com uma capa vermelha poderia voar e salvar o planeta, mas pelo menos a descoberta que o livro traz nos deixa mais centrados no mundo real e nos obriga a trabalharmos mais ainda pelos nossos objetivos.

O jornalista também não é um ser privilegiado, ele tem informação privilegiada, mas não é mais importante nem melhor do que ninguém: não tem vaga própria nos estacionamentos, não é superstar, nem tem mais proteção ou mais privilégio das leis por ser jornalista. Caco Barcellos, por exemplo, um ícone do jornalismo brasileiro, teve que passar um tempo fora do Brasil após o lançamento do livro Rota 66, que denunciou a polícia de São Paulo, pois sua vida corria riscos. Ele não teve força policial especial alguma ao seu lado, nem lei específica que dissesse que ele era intocável. Podia ser fotografado, ter sua imagem gravada em vídeo, em fim, nada o diferenciava de um ser humano qualquer. Esse é o preço que se paga pelo jornalismo de denúncia, mas não torna o jornalista mais especial.
Repórter, repórter fotográfico, editor, redator, pauteiro, assessor de imprensa são apenas algumas das muitas funções que um jornalista pode exercer e nenhuma delas o faz mais ou menos jornalista. 

Com a decisão do STF em relação ao diploma (que será em breve derrubada) muitas pessoas acham que agora qualquer um pode ser jornalista. Não é bem assim. Os Sindicatos de todo o Brasil e a Fenaj – Federação Nacional de Jornalistas, na luta pela obrigatoriedade do diploma, não emitem nenhuma carteira profissional sem apresentação de diploma de ensino superior, e a grande maioria das empresas só contrata profissionais capacitados, então, futuros jornalistas, não desanimem. Sem contar que os conhecimentos adquiridos em uma universidade são valiosíssimos e fazem muita diferença.

O fato de ser jornalista não garante que todo mundo tenha a obrigação de dizer o que você quer saber, muito menos que o jornalista pode entrar onde bem entender usando como pretexto a liberdade de imprensa, porque quando alguém não quer te dar uma informação que pertence a ela, ou não te convidou a entrar no espaço dela e você quer obriga-la, isso não é liberdade de imprensa, é falta de respeito e de profissionalismo. Conforme o artigo 8º do capítulo 2º do Código de Ética do Jornalismo Brasileiro, o jornalista tem a obrigação de, no exercício da profissão, respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão. Fora do exercício da profissão também, claro, mas isso é obrigação de todos nós, o que um jornalista não pode é usar a profissão para atacar a honra das pessoas.

Liberdade de imprensa não é sinônimo de anarquia. A imprensa tem livre acesso em todos os locais de domínio público e às informações públicas de interesse coletivo. Menos que isso é censura, mais que isso, se não for privilégio nem mexerico, é abuso.

E por fim, jornalista não é Barsa. Um jornalista não tem que saber tudo, pelo contrário, a função dele é exatamente pesquisar, perguntar para quem sabe, ir atrás do conhecimento e da informação para compartilhá-los com o seu público.

E ser jornalista é, acima de tudo, ter que se conter muito para não escrever demais! (risos)

PERFIS FALSOS NO ORKUT ACABAM EM CADEIA!