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25 agosto, 2009

O Velho Caudilho - Agora Universitário

Em 2005 fiz o perfil de uma figura folclórica que fez e continua fazendo história na cidade de Triunfo. É por isso que resolvi dar continuidade ao perfil, contando as novas proesas do político eternizado como "prefeito de Triunfo". O perfil ficou maravilhoso, não porque eu o escrevi, mas porque Bento Gonçalves dos Santos, hoje com 69 anos, tem uma trajetória riquíssima que privilegia qualquer texto. Em homenagem ao "Vovô" que agora está cursando Direito na Unisinos, republico esse perfil atualizado. Acompanhem, vale muito a pena!


************************


Bento Gonçalves dos Santos foi condenado pela Justiça, mas absolvido e glorificado pela população. Não é raro caminhar pelas ruas de Triunfo e encontrar pessoas relembrando com saudades da “época do Bento”.


Não é fácil descrevê-lo. Bento Gonçalves dos Santos é uma figura folclórica, conhecido em todo o Rio Grande do Sul e até mesmo no Brasil inteiro pelos amantes da política.


O pai lhe deu o nome em homenagem ao general Bento Gonçalves da Silva, nascido na cidade de Triunfo. Seria admiração pelo herói farrapo ou pressentimento paterno de que nascia naquele dia 24 de junho de 1940, em Cruzeiro do Sul (RS), um novo líder, destemido e valente como o revolucionário gaúcho?


Explosivo, de punho forte, Bento nunca foi homem de meias palavras. “Sempre fui muito direto e franco. Digo o que penso e assumo o que faço”. E azar de quem não goste!


Quando jovem queria ser jornalista ou advogado, mas diz que não estudou por preguiça. Aos oito anos de idade entrou para a escola e se apaixonou pela primeira professora, a senhora Núbia Costa Saraiva que lhe deu aulas também durante todo o ginasial. Três de suas netas têm o primeiro nome de Núbia em homenagem à mestra.


Apesar de não ter participado da Guerra dos Farrapos, Bento sempre foi um guerreiro. Apaixonado por cavalos e pela lida do campo, desde criança aprendeu o serviço pesado. Acordava todas as manhãs muito cedo e antes de ir para a escola ordenhava as vacas com o pai, na chácara para onde se mudaram na cidade de Taquari (RS). Dos 15 aos 19 anos trabalhava à tarde no escritório de um moinho de trigo e à noite fazia horas extras no ensacamento e carregamento. A manhã era reservada para os estudos.


O gaudério cresceu. Em 1965 Bento se mudou para a cidade de Caiçara, onde se casou pela primeira vez e teve cinco filhos – Prudêncio Franklin, Bráulio Tovar, Gaspar Martins, e Bento Gonçalves dos Santos Filho. O quinto filho, Assis Brasil, morreu aos três anos de idade, afogado na banheira. Esse é lembrado por Bento como o momento mais triste de toda sua vida, que já tinha destino certo para fazer história – a cidade de Triunfo, para onde ele foi transferido em 1966 quando trabalhava como fiscal do ICM pela Secretaria Estadual da Fazenda.


Foi aqui que ele ingressou na política. No ano de 1972 queria concorrer a vereador. Como ninguém do seu partido (Arena) quis concorrer pela chapa majoritária, Bento encarou o desafio e foi eleito prefeito pela primeira vez. Apresentou a cidade ao progresso trazendo para cá as duas primeiras agências bancárias, facilitando a vida dos moradores que não precisavam mais se deslocar para as cidades vizinhas.


Nessa mesma época recebeu a notícia de que o III Pólo Petroquímico viria para o Estado e com a ajuda do amigo Otávio Omar Cardoso (marido da jornalista Ana Amélia Lemos) conseguiu trazer o Pólo para Triunfo.


Terminado seu primeiro mandato, e como naquela época era proibida a reeleição, Bento foi trabalhar na Caixa Econômica Estadual e mais tarde no gabinete do secretário estadual da agricultura, Baltazar de Bem e Canto. Também foi diretor da Colônia Penal Agrícola, onde por ironia do destino, seria preso anos mais tarde.


Comprovando sua competência política o povo o reelegeu no ano de 1988 pelo mesmo partido, já com a sigla PDS. Bento não decepcionou e a cidade mais uma vez progrediu. Criou órgãos inexistentes como a Secretaria da Saúde e Assistência Social, casas populares, escolas, postos de saúde e asfaltou os 32 quilômetros da principal via de acesso à cidade.


Em 1993 foi secretário municipal de Indústria e Comércio. Tentou se eleger para deputado estadual e não teve sucesso. Três anos mais tarde, Bento, sem pressentir o que o futuro lhe reservava lançou sua candidatura pelo então PPB e pela terceira vez foi eleito prefeito, mas não concluiu seu mandato. Após três anos de governo foi afastado pela 4ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, acusado de desvio de verba pública.


Em seu quarto dia no presídio da cidade de São Jerônimo descobriu que estava doente. Câncer de Tireóide. “Mas bagual macho não se entrega e nem tá morto quem peleia.” Começou então a luta pela sobrevivência. A figura imponente de bombachas e boina não seria tão facilmente derrotada. Um mês depois, em janeiro de 2000, foi realizada a cirurgia e Bento ficou em prisão domiciliar enquanto se recuperava, até agosto do mesmo ano quando voltou ao presídio, dessa vez na Colônia Penal Agrícola de Charqueadas. Para passar o tempo na cadeia ele trabalhava, lia e escrevia muito. Quem conhece a figura forte e valente de Bento Gonçalves sabe que ele é dotado de uma inteligência admirável, mas poucos conhecem seu aguçado dom poético. Na prisão escrevia versos, sempre com rimas que soam como música aos ouvidos de quem o escuta recitá-los. Os temas que o inspiravam (e ainda inspiram) são diversos. Em virtude de sua prisão Bento escreveu um poema do qual transcrevo um verso:


Até parece mentira
que após ter sido eleito
Três vezes para prefeito
em pleitos consagradores
Por bondade de eleitores
da minha comunidade
Eu perdesse a liberdade,
o mais sagrado direito.


A doença que não conseguiu derrubá-lo também não levou sua inspiração e a batalha vencida foi saudada com poesia:


Um ano de tratamento
exames e procedimentos
todos os médicos afirmavam
que eu venci essa peleia
Não sei se foi um milagre
ou força da medicina
mas muita gente imagina
que a cura foi a cadeia.


Datas comemorativas e particularmente especiais sempre mereceram espaço em seus cadernos de poemas. Seu lado sensível e romântico é expresso em versos dedicados à sua segunda esposa, Maria Madalena, com quem se casou há 25 anos e a quem chama carinhosamente de “vovó”. Assim como a política, a sensibilidade está na alma desse galanteador à moda antiga. No último dia dos namorados (como em todos eles) vovó recebeu mais um poema dedicado ao amor que os une, definido por Bento como “Amor Perfeito”.


Em novembro de 2000 recebeu a notícia maravilhosa – uma liminar lhe devolveu a liberdade. Mas a felicidade ainda não havia chegado para ficar e quinze dias depois a justiça cassou a liminar e o mandou de volta para o presídio onde ficou por mais dois anos e três meses. Em dezembro de 2003 o Papai Noel lhe deu de presente a liberdade condicional.


Em 2004 viu o filho Gaspar Martins perder as eleições. Enquanto milhares de cidadãos choravam a derrota nas urnas, o vovô não se deixou abater e mais uma vez foi a fortaleza amparando e consolando aqueles que o procuravam desesperados e preocupados com o futuro da cidade.


Quando indagado sobre a Justiça dos homens ele afirma - “Acredito na Justiça e respeito as suas decisões, apesar de achar que não devo o que paguei. Me angustiava ver as pessoas sem recursos e quando não podia ajudar através das secretarias municipais tirava do meu próprio bolso. Às vezes, meu salário ia quase todo assim”.


E a prisão? – “Não é a pior coisa do mundo” – responde. O lado triste ficou por conta dos amigos esperados nas visitas de finais de semana e que nunca compareceram. “Os amigos e políticos, com algumas exceções, esqueceram que eu existia. Mas sempre aceitei resignadamente o que Deus me destinou”. Com sua simplicidade e sinceridade fez amigos até na Colônia Penal e lá, de dentro da cadeia, nas eleições municipais de 2000, elegeu como prefeito de Triunfo um candidato do PDT, mobilizando uma cidade inteira que deu seu voto a pedido de Bento Gonçalves, eternizado como “prefeito de Triunfo”.


Ele se diz satisfeito com a situação daquela que considera a melhor cidade do mundo. “Triunfo progrediu bastante, principalmente na zona urbana. O ensino e a saúde estão cada vez melhor e em matéria de obras asfálticas o atual prefeito fez muito mais do que todos os outros”.


E a vida política? Ele confessa que tem vontade de voltar a concorrer ao pleito municipal e ser novamente prefeito, mas até 2012 vai se dedicar somente aos estudos. Sim, o velho caudilho não se cansa de fazer história e, no início deste ano, incentivado pela esposa, Bento retomou os estudos e um mês antes de concluir o Ensino Médio foi classificado em 9º lugar no vestibular de Direito da Unisinos. Depois de formado quer atuar nas áreas Penal e Eleitoral: “estou estudando para ser aprovado e vou passar na prova da OAB”, garante empolgado. Aos 69 anos de idade ele se diz encantado com a rotina acadêmica e vai aproveitar a vida para “viver e estudar”, enquanto procura estágio ou emprego para custear a faculdade.


A disposição do vovô causa inveja em quem não tem a mesma força de vontade, viajando de ônibus todas as manhãs de segunda a sexta-feira, de Triunfo para São Leopoldo onde estuda, e ainda faz curso de informática na própria Universidade nas tardes das segundas-feiras. E ele não pretende parar por aqui. Paralelo ao Direito, Bento tem planos para cursar Letras no próximo ano, segundo ele, para “aprimorar a escrita”.


Talvez muitos não partilhem da mesma opinião, mas uma coisa é certa: a cidade de Triunfo foi contemplada com a vida e a história de dois heróis revolucionários chamados de Bento Gonçalves, o da Silva e o do Santos. Este último cada vez mais carismático e admirado, servindo de exemplo e dando uma lição de vida a todos que têm o privilégio de conhecê-lo.


Tatiana Vasco.
Jornalista Diplomada.
13664 DRT/RS

17 junho, 2008

Arnaldo Jabor fala sobre o RS

Pois é.
O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos.
Olham o escândalo na televisão e exclamam 'que horror'.
Sabem do roubo do político e falam 'que vergonha'.
Vêem a fila de aposentados ao sol e comentam 'que absurdo'.
Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem 'que baixaria'.
Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram 'que medo'. E pronto!

Pois acho que precisamos de uma transição 'neste país'.
Do ressentimento passivo à participação ativa'.
Pois recentemente estive em Porto Alegre, onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou.
Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém. No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do Sindirádio, uma surpresa.

Abriram com o Hino Nacional.
Todos em pé, cantando.
Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul.
Fiquei curioso. Como seria o hino?
Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra!

'Como a aurora precursora /
do farol da divindade, /
foi o vinte de setembro /
o precursor da liberdade '

Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão.
Com garrafa de água quente e tudo.
E oferece aos que estão em volta.
Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem.
E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem.
Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado.

Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é 'comunidade'.
Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo.
Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é...
Foi então que me deu um estalo.

Sabe como é que os 'ressentimentos passivos' se transformarão em participação ativa?
De onde virá o grito de 'basta' contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil?
De São Paulo é que não será.
Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo.
Os paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção.
São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem 'liga'.
Cada um por si e o todo que se dane.

E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes.
Penso que o grito - se vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa 'liga'. A mesma que eu vi em Porto Alegre.
Algo me diz que mais uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira.
Que buscarão em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo.

Que venham, pois. Com orgulho me juntarei a eles.
De minha parte, eu acrescentaria, ainda:

'...Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda terra...'

Arnaldo Jabor
_____________________________
Texto recebido por email.

27 março, 2008

Jornalista? Onde está o Diploma?

Recebi meu diploma de Jornalista no sábado dia 3 de março e já na segunda-feira, dia 5, me dirigi ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio Grande do Sul, localizado em Porto Alegre, para pegar meu Registro Profissional e minha Carteira Nacional de Jornalista.

Ao chegar eu brinquei com a atendente dizendo com o diploma nas mãos: “estou aqui para trocar um documento que me custou aproximadamente 70 mil reais por outro que me garantirá pelo menos mil reais por mês”. Sim, este é o piso da categoria, acreditem!

Mas se quisesse ganhar dinheiro teria feito medicina ou engenharia. Escolhi o Jornalismo porque, sem falsa modéstia, além de gostar de ler e escrever muito bem, carrego comigo certo senso de justiça social.

Uma vez li a seguinte frase: “a imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica e deixar cicatrizes no cérebro”. Não é à toa que a imprensa é considerada o Quarto Poder, pois eleva e faz cair governantes, políticos e celebridades.

Durante a faculdade participei de vários congressos e seminários onde o tema discutido foi a ética jornalística, imensamente desrespeitada. Estudei cinco anos para ser uma boa profissional e fazer um Jornalismo comprometido com o seu público, engajado com os problemas sociais, preocupado em fortalecer a democracia e incentivar o exercício da cidadania.

Estudei várias teorias, conheci diversos movimentos desde o surgimento da imprensa e, mesmo assim, não é fácil praticar um jornalismo responsável que seja muito mais do que um mero mediador social de sentidos, um simples transmissor de informações, mas que seja um educador, instruindo o povo para uma sociedade mais justa, mais digna e mais consciente de seus direitos e deveres.

Que seja muito mais que um cão-de-guarda da sociedade, mas um cão-guia. Há quem diga que isso é demagogia, mas nos meus cinco anos de estudos descobri que esse Jornalismo ao qual me refiro, o Jornalismo Cívico (surgido nos EUA), socialmente responsável, não só é possível como imprescindível e já é praticado no Brasil, nos Estados de Brasília, São Paulo e Minas Gerais e é alvo de estudos e pesquisas do Instituto de Jornalismo da UnB (Universidade de Brasília).

Outro assunto muito discutido pelo Sindicato dos Jornalistas é o tal Conselho Federal de Jornalismo. Em 2005 assisti na Unisinos a uma palestra ministrada pelo presidente da OAB do RS onde ele nos explicou a importância da aprovação do Projeto que criaria o Conselho e que estava sendo “atacado” pela grande mídia e acusado de censura. Apesar do apoio da OAB e da aprovação no Senado o projeto não foi assinado pelo presidente Lula, por motivos obviamente políticos. Estudei cinco anos para um analfabeto decidir o futuro da minha profissão, que ironia!

Diretamente ligado ao tema está a questão da obrigatoriedade do Diploma para uma pessoa se tornar Jornalista. Aqueles que nunca estudaram para tal se sentem lesados, defendem com unhas e dentes que qualquer um pode ser Jornalista, mesmo sem toda teoria e prática e toda pesquisa na área, mesmo sem conhecerem o mínimo do manual e regras de redação, das leis de imprensa e da tão imprescindível ética.

Mas seria justo pagar o que pagamos por uma faculdade, passar anos nos dedicando aos estudos para praticar um jornalismo profissional e de qualidade e qualquer um resolver do dia pra noite que quer ser jornalista e jogar no esgoto todo trabalho profissional e ético para o qual fomos graduados?

Esses (profissionais?) se autodenominam “jornalistas” escrevem matérias e veiculam informações sem o mínimo de conhecimento do que estão fazendo e sem consciência da responsabilidade que carrega a profissão que pode causar mais danos do que a bomba atômica... Afinal, trabalhamos com pessoas, com seres humanos, com vidas e carreiras que podem ser destruídas por um jornalismo irresponsável e mal intencionado.

Mas, se qualquer um pode ser o que quiser do dia pra noite amanhã mesmo estarei abrindo meu consultório médico, vou dar diagnósticos, receitar medicamentos e realizar cirurgias, afinal estudar pra que, diploma não vale nada mesmo!!!

Dia desses em uma cidade vizinha uma menina se apresentou pra mim como Jornalista. Perguntei onde ela havia se formado, mas ela disse que concluiu o ensino médio. Me desculpe, Jornalista sou eu e a obrigatoriedade do diploma está valendo desde 2006. Quem for denunciado ou pego exercendo a profissão sem a devida formação acaba na delegacia prestando depoimento e respondendo por crime de exercício ilegal da profissão.

Mas voltando ao meu consultório médico, você vai confiar sua saúde e sua vida a mim não vai? Afinal quem precisa de faculdade! E, aliás, como Médica sou uma excelente Jornalista.

__________________
Tatiana Vasco.
Jornalista Diplomada.
Registro Profissional nº 13664 DRT/RS

03 maio, 2006

IGNORÂNCIA POLÍTICA

Quando a mídia ajuda a desinformar

Muniz Sodré (*)
Observatório da Imprensa

"Ignorância política" foi o diagnóstico feito por Gilberto Dimenstein na Folha de S.Paulo (16/4/2006) a propósito do desconhecimento da vida pública por parte dos brasileiros, detectado em pesquisas recentes. Dois exemplos:

1. "Apenas 16% dos eleitores recordam-se do mensalão, um tema que não sai do noticiário desde o final de junho de 2005;
2. "Apenas 20% dos brasileiros, segundo pesquisa CNT/Sensus, conhecem a norma da verticalização (...) fundamental para entender as chances dos candidatos a presidente e governador".

O jornalista tem razão, trata-se mesmo de ignorância política, principalmente quando se leva em conta a melhoria da taxa de escolaridade nos últimos 20 anos, assim como o fato de que direitos políticos e eleições livres fazem hoje parte da rotina social. Vale acrescentar a estas ponderações outras, constantemente dadas à luz por analistas europeus: as massas deixaram de prestar atenção à política, a não ser em suas formas delituosas – e mesmo assim, em índices reduzidos, como bem atestam os 16% que se lembram do mensalão.

A questão não pára aí, porém. O filósofo francês Alain Badiou – que, aliás, conhece razoavelmente bem a situação política brasileira – introduz a variável do "afeto público" na análise do fenômeno político. Levando-se em conta o estado emocional das massas é, para Badiou, simplesmente falso que o voto seja a expressão da liberdade das opiniões. O voto, na realidade, seria sufocado pelo que ele chama de "princípio do homogêneo", isto é, todo mundo pode ser candidato, mas só podem chegar aos lugares "precodificados" do poder possível aqueles que se encaixam, homogenicamente, em uma norma determinada. Em termos mais claros, ocupam os postos do "poder possível" (a margem de mando político permitida pelo poder econômico) aqueles que não vão fazer nada essencialmente diferente de seus antecessores.

Manifesto de paixão

O "princípio do homogêneo" garantiria o conservadorismo do voto. Isto bem se traduz na frase do político francês Alain Peyrefitte dirigida aos socialistas e comunistas, em 1981: "Vocês foram eleitos para mudar o governo, e não para mudar a sociedade".

O exemplo pode ser francês, mas o princípio é global. Até um certo limite, direita e esquerda podem ser homogêneas ao sistema jurídico-parlamentar, o que faz da alternância político-partidária no poder uma mera estratégia espontânea de conservação do sistema tal e qual se apresenta. Entre a alternância do entusiasmo e da rejeição, o afeto público balança como uma gangorra e, para se defender das violentas emoções, é capaz de bloquear a atenção e a memória coletivas.

Esta é, claro, apenas uma interpretação, entre outras também possíveis, para o fenômeno da desafeição da política. Contra isto, nada tem conseguido fazer a imprensa – à qual Hipólito da Costa, nosso primeiro jornalista, atribuía a função de instruir politicamente o povo.

A nossa imprensa arrisca-se a perder o horizonte cívico em meio ao excesso de detalhes negativistas do real. O jornal de cada dia está-se convertendo num manifesto de paixão à celebridade, seja a incensada, seja a desprezada. A fama é a ponte entre o bem e o mal, a cada dia atravessada industrialmente pela mídia. Numa conjuntura dessas, o que em política pode haver de positivo e de heterogêneo deixa de interessar e, certamente, de formar espírito público.

(*) Jornalista, escritor, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

21 outubro, 2005

NÃO HÁ, NEM HAVERÁ DESARMAMENTO ALGUM, INDEPENDENTE DO RESULTADO

Pelo Dr. Fernando ! (Procurador de Justiça )

Meus Amigos,
Nessas últimas semanas estamos sendo bombardeados por informações a respeito do referendo que em breve será realizado no Brasil. Confesso que não havia entendido as reais intenções desse referendo. Nenhum argumento que realmente fizesse sentido (no sentido amplo, completo e irrestrito da palavra) tinha se encaixado em minha cabeça. Não porque minha cabeça não queria compreender os fatos, mas sim porque existia uma grande e enorme peça do quebra cabeça faltando. Essa peça faltando eu finalmente compreendi, tive que mandar esse e-mail para vocês porque as coisas são muito piores que todos estão imaginando.

Lendo o texto da Lei parte da qual transcrevo abaixo, para que todos possam ler e se inteirar do que estão prestes a decidir, temos:

............................
CAPÍTULO VI
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 35. É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6o desta Lei.

§ 1o Este dispositivo, para entrar em vigor, dependerá de aprovação mediante referendo popular, a ser realizado em outubro de 2005.

§ 2o Em caso de aprovação do referendo popular, o disposto neste artigo entrará em vigor na data de publicação de seu resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral. . ....................................................

Observaram? Não? O problema é tão sutil que poucos compreendem. Vou tentar explicar. Leiam novamente o Art.35 "É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional".

NINGUÉM está mexendo em PORTE DE ARMA, ele continua o mesmo (Leiam o "CAPÍTULO II - Do porte"). Ninguém tendo arma registrada será obrigado a devolvê-la, inclusive quem quiser ter uma arma vai precisar (prestem ATENÇÃO!!!) importá-la e registrá-la devidamente no órgão competente.
Engraçado né? E chamam isso de "Estatuto do Desarmamento". NÃO HAVERÁ NENHUMA ESPÉCIE DE DESARMAMENTO. PROCUREM NA LEI! EU DESAFIO!

Notaram, implicaram só com a comercialização? Por que será? Vamos lá...Existe na lei do comércio exterior um ponto que diz: Um país só pode vender um produto para outro país, se a comercialização do mesmo tipo de produto for permitido no primeiro país. Ou seja, o Brasil só pode vender abacaxi para os Estados Unidos se no Brasil for permitido o comércio de abacaxis.

Pois bem, à luz dos fatos: SE A PROIBIÇÃO FOR REFERENDADA, O BRASIL NÃO PODERÁ VENDER SUA PRODUÇÃO DE ARMAS DE FOGO PARA OS ESTADOS UNIDOS, PORQUE A COMERCIALIZAÇÃO DE ARMAS DE FOGO E MUNIÇÃO SERÁ PROIBIDA NO BRASIL. A indústria Americana agradece.

Vocês vão perguntar, é só por isso que você ficou indignado? Você só quer defender a industria bélica brasileira? Antes de responder, vamos aos fatos, os que realmente importam: Vocês sabiam que o Brasil desenvolveu tecnologia e têm fabricado uma das melhores armas de baixo calibre? Que os exércitos de todo o mundo utilizam armas brasileiras? Que mais 99% da produção de armas brasileiras é para exportação? Que 90% das exportações de armas do Brasil vão para os Estados Unidos? E que isso representa apenas 20% do mercado americano? Realmente parece que o Brasil está incomodando...

Ai você vai me dizer: "É, parece realmente que você só quer defender a industria bélica brasileira". Eu digo não. A indignação é muito maior. Notaram que tudo que o Brasil tem de bom (laranjas, aviões) os grandes países querem aniquilar? Comprando sei lá quem, conseguem levar leis como essa adiante. Sempre é a mesma história, uma farsa por trás de uma questão com apelo popular e emocional para garantir interesses baixos e desonestos. Todos sabem que as pessoas que mandam nesse país não merecem a confiança do povo, todos sabem que as coisas no Brasil não são como parecem ser. Mais uma vez esses corvos estão entregando os nossos interesses, os do povo, os do Brasil de fato. Mais uma vez estão enganando você.

Decidam! Mas antes, por favor, entendam as coisas da maneira correta. E façam a opção conscientemente e não como gado guiado pela mídia comprada por interesses menores para distraí-lo dos verdadeiros interesses em jogo! Se acredita no que eu disse - recomendável ler a lei que citei - repasse esta mensagem para outras pessoas de modo que elas possam conhecer mais do que as meias informações que circulam por aí.
NÃO ESTAMOS VOTANDO EM DESARMAMENTO, ESTE JÁ EXISTE, ESTAMOS VOTANDO EM COMERCIALIZAÇÃO!
___________________________________
FONTE: Maisa de Lacerda Nazario WEBWRITER - www.webwriter.jor.br

13 outubro, 2005

A VERDADE SOBRE O REFERENDO

Lendo o texto da Lei temos:
CAPÍTULO VI
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 35. É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta Lei.

§ 1º Este dispositivo, para entrar em vigor, dependerá de aprovação mediante referendo popular, a ser realizado em outubro de 2005.

§ 2º Em caso de aprovação do referendo popular, o disposto neste artigo entrará em vigor na data de publicação de seu resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Observaram? Não? O problema é tão sutil que poucos compreendem. Vou tentar explicar. Leiam novamente o Art.35 "É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional”.

Ninguém está mexendo em porte de arma, ele continua o mesmo (Leiam o "CAPÍTULO II - Do porte").

Ninguém que tem arma registrada será obrigado a devolvê-la e inclusive quem quiser ter uma arma vai precisar apenas (prestem ATENÇÃO!!!) importá-la e registrá-la devidamente no órgão competente.

Engraçado né? E chamam isso de "Estatuto do Desarmamento". Não haverá nenhuma espécie de desarmamento. Procurem na lei. Eu desafio!!!

Notaram, implicaram só com a comercialização? Por que será? Vamos lá... Existe na lei do comércio exterior um ponto que diz: Um país só pode vender um produto para outro país, se a comercialização do mesmo tipo de produto for permitido no primeiro país. Ou seja, o Brasil só pode vender abacaxi para os Estados Unidos se no Brasil for permitido o comércio de abacaxis. Pois bem, a luz dos fatos: o Brasil não poderá vender sua produção de armas de fogo para os Estados Unidos porque os a comercialização de armas de fogo e munição será proibida no Brasil.

Vocês vão perguntar, é só por isso que você ficou indignado? Você só quer defender a indústria bélica brasileira? Antes de responder, vamos aos fatos, os que realmente importam: Vocês sabiam que o Brasil desenvolveu tecnologia e têm fabricado uma das melhores armas de baixo calibre? Que os exércitos de todo o mundo utilizam armas brasileiras? Que mais 99% da produção de arma brasileira é para exportação? Que 90% das exportações de armas do Brasil vão para os Estados Unidos? E que isso representa apenas 20% do mercado americano? É realmente, o Brasil parece estar incomodando.

Ai você vai me dizer: "É parece realmente que você só quer defender a indústria bélica brasileira”. Eu digo não. A indignação é muito maior. Notaram que tudo que o Brasil tem de bom (laranjas, aviões) os grandes países querem aniquilar. Comprando deputados e sei lá mais quem, conseguem levar leis como essa a diante. Sempre é a mesma história, uma farsa por trás de uma questão que tem de apelo emocional para garantir interesses baixos e desonestos. Todos sabem que as pessoas que mandam nesse país não são um exemplo de confiança que as coisas no Brasil não são como parecem. Mais uma vez eles estão entregando o Brasil. Mais uma vez estão enganando você.

Decidam!

Quem quiser conferir diretamente da fonte é só clicar no link oficial:
Senado

Outras informações podem ser adquiridas no site do senado:
Senado
Autor desconhecido. Repassado a mim por Geisa Abreu.

05 julho, 2005

O Velho Caudilho

Bento Gonçalves dos Santos é um político que reside na cidade de Triunfo, onde foi prefeito três vezes. As pessoas dessa cidade o reverenciam muito e o têm como herói. Mas a maior conquista desse homem apaixonante é a amizade de toda uma população que o admira e o respeita. Fiz o seu perfil para a disciplina de Redação Jornalística II. Acompanhem.

Bento Gonçalves dos Santos foi condenado pela Justiça, mas absolvido e glorificado pela população. Não é raro caminhar pelas ruas de Triunfo e encontrar pessoas relembrando com saudades da “época do Bento”.

Não é fácil descrevê-lo. Bento Gonçalves dos Santos é uma figura folclórica, conhecido em todo o Rio Grande do Sul e até mesmo no Brasil inteiro pelos amantes da política.

O pai lhe deu o nome em homenagem ao general Bento Gonçalves da Silva, nascido na cidade de Triunfo. Seria admiração pelo herói farrapo ou pressentimento paterno de que nascia naquele dia 24 de junho de 1940, em Cruzeiro do Sul (RS), um novo líder, destemido e valente como o revolucionário gaúcho?

Explosivo, de punho forte, Bento nunca foi homem de meias palavras. “Sempre fui muito direto e franco. Digo o que penso e assumo o que faço”. E azar de quem não goste!

Quando jovem queria ser jornalista ou advogado, mas diz que não estudou por preguiça. Aos oito anos de idade entrou para a escola e se apaixonou pela primeira professora, a senhora Núbia Costa Saraiva que lhe deu aulas também durante todo o ginasial. Três de suas netas têm o primeiro nome de Núbia em homenagem à mestra.

Apesar de não ter participado da Guerra dos Farrapos, Bento sempre foi um guerreiro. Apaixonado por cavalos e pela lida do campo, desde criança aprendeu o serviço pesado. Acordava todas as manhãs muito cedo e antes de ir para a escola ordenhava as vacas com o pai, na chácara para onde se mudaram na cidade de Taquari (RS). Dos 15 aos 19 anos trabalhava à tarde no escritório de um moinho de trigo e à noite fazia horas extras no ensacamento e carregamento. A manhã era reservada para os estudos.

O gaudério cresceu. Em 1965 Bento se mudou para a cidade de Caiçara, onde se casou pela primeira vez e teve cinco filhos – Prudêncio Franklin, Bráulio Tovar, Gaspar Martins, e Bento Gonçalves dos Santos Filho. O quinto filho, Assis Brasil, morreu aos três anos de idade, afogado na banheira. Esse é lembrado por Bento como o momento mais triste de toda sua vida, que já tinha destino certo para fazer história – a cidade de Triunfo, para onde ele foi transferido em 1966 quando trabalhava como fiscal do ICM pela Secretaria Estadual da Fazenda.

Foi aqui que ele ingressou na política. No ano de 1972 queria concorrer a vereador. Como ninguém do seu partido (Arena) quis concorrer pela chapa majoritária, Bento encarou o desafio e foi eleito prefeito pela primeira vez. Apresentou a cidade ao progresso trazendo para cá as duas primeiras agências bancárias, facilitando a vida dos moradores que não precisavam mais se deslocar para as cidades vizinhas.

Nessa mesma época recebeu a notícia de que o III Pólo Petroquímico viria para o Estado e com a ajuda do amigo Otávio Omar Cardoso (marido da jornalista Ana Amélia Lemos) conseguiu levar o Pólo para Triunfo.

Terminado seu primeiro mandato, e como naquela época era proibida a reeleição, Bento foi trabalhar na Caixa Econômica Estadual e mais tarde no gabinete do secretário estadual da agricultura, Baltazar de Bem e Canto. Também foi diretor da Colônia Penal Agrícola, onde por ironia do destino seria preso anos mais tarde.

Comprovando sua competência política o povo o reelegeu no ano de 1988 pelo mesmo partido, já com a sigla PDS. Bento não decepcionou e a cidade mais uma vez progrediu. Criou órgãos inexistentes como a Secretaria da Saúde e Assistência Social, casas populares, escolas, postos de saúde e asfaltou os 32 quilômetros da principal via de acesso à cidade.

Em 1993 foi secretário municipal de Indústria e Comércio. Tentou se eleger para deputado estadual e não teve sucesso. Três anos mais tarde, Bento, sem pressentir o que o futuro lhe reservava lançou sua candidatura pelo então PPB e pela terceira vez foi eleito prefeito, mas não concluiu seu mandato. Após três anos de governo foi afastado pela 4ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, acusado de desvio de verba pública.

Em seu quarto dia no presídio da cidade de São Jerônimo descobriu que estava doente. Câncer de Tireóide. “Mas bagual macho não se entrega e nem tá morto quem peleia.” Começou então a luta pela sobrevivência. A figura imponente de bombachas e boina não seria tão facilmente derrotada. Um mês depois, em janeiro de 2000, foi realizada a cirurgia e Bento ficou em prisão domiciliar enquanto se recuperava, até agosto do mesmo ano quando voltou ao presídio, dessa vez na Colônia Penal Agrícola de Charqueadas. Para passar o tempo na cadeia ele trabalhava, lia e escrevia muito. Quem conhece a figura forte e valente de Bento Gonçalves sabe que ele é dotado de uma inteligência admirável, mas poucos conhecem seu aguçado dom poético. Na prisão escrevia versos, sempre com rimas que soam como música aos ouvidos de quem o escuta recitá-los. Os temas que o inspiravam (e ainda inspiram) são diversos. Em virtude de sua prisão Bento escreveu um poema do qual transcrevo um verso:

Até parece mentira
que após ter sido eleito
Três vezes para prefeito
em pleitos consagradores
Por bondade de eleitores
da minha comunidade
Eu perdesse a liberdade,
o mais sagrado direito.

A doença que não conseguiu derrubá-lo também não levou sua inspiração e a batalha vencida foi saudada com poesia:

Um ano de tratamento
exames e procedimentos
todos os médicos afirmavam
que eu venci essa peleia
Não sei se foi um milagre
ou força da medicina
mas muita gente imagina
que a cura foi a cadeia.

Datas comemorativas e particularmente especiais sempre mereceram espaço em seus cadernos de poemas. Seu lado sensível e romântico é expresso em versos dedicados à sua segunda esposa, Maria Madalena, com quem se casou há 21 anos e a quem chama carinhosamente de “vovó”. Assim como a política, a sensibilidade está na alma desse galanteador à moda antiga. No último dia dos namorados (como em todos eles) vovó recebeu mais um poema dedicado ao amor que os une, definido por Bento como “Amor Perfeito”.

Em novembro de 2000 recebeu a notícia maravilhosa – uma liminar lhe devolveu a liberdade. Mas a felicidade ainda não havia chegado para ficar e quinze dias depois a justiça cassou a liminar e o mandou de volta para o presídio onde ficou por mais dois anos e três meses. Em dezembro de 2003 o Papai Noel lhe deu de presente a liberdade condicional.

No ano passado viu o filho Gaspar Martins perder as eleições. Enquanto milhares de cidadãos choravam a derrota nas urnas, o vovô não se deixou abater e mais uma vez foi a fortaleza amparando e consolando aqueles que o procuravam desesperados e preocupados com o futuro da cidade.

Quando indagado sobre a Justiça dos homens ele afirma - “Acredito na Justiça e respeito as suas decisões, apesar de achar que não devo o que paguei. Me angustiava ver as pessoas sem recursos e quando não podia ajudar através das secretarias municipais tirava do meu próprio bolso. Às vezes, meu salário ia quase todo assim”.

E a prisão? – “Não é a pior coisa do mundo” – responde. O lado triste ficou por conta dos amigos esperados nas visitas de finais de semana e que nunca compareceram. “Os amigos e políticos, com algumas exceções, esqueceram que eu existia. Mas sempre aceitei resignadamente o que Deus me destinou”. Com sua simplicidade e sinceridade fez amigos até na Colônia Penal e lá, de dentro da cadeia, nas eleições municipais de 2000, elegeu como prefeito de Triunfo um candidato do PDT, mobilizando uma cidade inteira que deu seu voto a pedido de Bento Gonçalves, eternizado como “prefeito de Triunfo”.

Para a tristeza de uma população ele não quer mais concorrer a cargos políticos. Mesmo aposentado continua trabalhando. Há um mês presta assessoria ao amigo Dirceu Machado Rodrigues em seu escritório de advocacia, em Porto Alegre, e viaja o Brasil inteiro com uma disposição de causar inveja.

E o futuro de Triunfo? Ele aposta no desenvolvimento daquela que considera a melhor cidade do mundo. Talvez muitos não partilhem da mesma opinião, mas uma coisa é certa: Triunfo foi contemplada com a vida e a história de dois heróis revolucionários chamados de Bento Gonçalves, o da Silva e o do Santos.
Tatiana Vasco.

28 abril, 2005

Banheiros universitários entre a educação e os maus modos

O fato: sujeira e depredação. O cenário: banheiros femininos da Unisinos. Personagens: as universitárias.

Todos os dias milhares de estudantes percorrem os corredores da universidade e se dirigem aos banheiros de todos os Centros antes, durante e depois das aulas. Todas elas se deparam com uma cena lamentável ao adentrarem os sanitários: o interior de suas portas é todo riscado por canetas, corretivos e pincéis atômicos.

Se para uns é diversão dedicar tempo à leitura do que lá está escrito para outros é uma falta de consideração e respeito. “Quem escreve não pede o consentimento das outras pessoas, não pergunta se elas querem ler”, desabafa Vera Haas, professora de Latim e Literatura do Centro das Ciências da Comunicação, que diz se defender das leituras nada instrutivas evitando olhar para o interior das portas.

De política à pornografia
Os conteúdos encontrados são diversos, desde anúncios de festas, recados para o ser amado, opiniões sobre política e economia, protesto ou elogios à Unisinos. Mas, o que realmente domina são questões ligadas à sexualidade. Algumas mulheres pedem conselhos por terem uma determinada idade e ainda serem virgens, outras informam que são casadas e que em companhia do marido procuram uma garota interessada em orgias a três. Há as que simplesmente relatam o que fazem com seu namorado descrevendo os mínimos detalhes. Um fato curioso pode ser conferido no banheiro do Centro Administrativo, popularmente conhecido como “Redondo”, em frente ao Station Coffee. Na segunda porta do banheiro feminino uma aluna escreveu um texto admitindo ser homossexual e estar apaixonada por outra garota e pede conselhos sobre o que fazer já que sua família é contra o relacionamento. O que chama atenção é que todas as mulheres que usaram aquele sanitário e leram o pedido de ajuda da menina parecem ter se compadecido de sua situação e deixaram escrito o seu parecer. Algumas deram força para que ela enfrente a família e lute pela sua opção, outras revelaram preconceitos sobre a situação sugerindo que ela experimentasse um relacionamento heterossexual, ou simplesmente desejaram boa sorte.

Freud explica?
Rosana Cecchini de Castro, professora de Psicologia do Centro de Ciências da Saúde e profissional do Pipas (Programa Interdisciplinar de Promoção e Atenção à Saúde), que funciona na antiga sede da Universidade avalia a situação. Para ela o que leva as pessoas a tomarem esse tipo de atitude é o fato de a sexualidade ainda ser tabu dentro da nossa cultura, gerando ansiedade e fazendo com que mesmo as mulheres mais liberais não a desenvolvam com tranqüilidade. “As pessoas escolhem o banheiro para escreverem esse tipo de conteúdo por ser um local de muita intimidade e porque em nossa sociedade sexualidade e sujeira sempre estiveram associados”, diz a psicóloga. Essa problemática foi debatida e analisada também por uma turma de estagiários de psicologia, alunos de Rosana. Para alguns um fator que pode desencadear esse tipo de atitude é que talvez essas pessoas sejam solitárias e não tenham outra alternativa para expressarem seus sentimentos e emoções ou por serem demasiado tímidas procurem o banheiro, um local isolado, secreto e seguro. Mas essa hipótese foi questionada por parte da turma, já que o banheiro é público e freqüentado por um grande número mulheres todos os dias, ou seja, quem expõe seus sentimentos e pensamentos em um lugar assim quer externá-los a uma grande platéia.

Não é você quem limpa!
Mas a questão não pode ser vista só do lado da psicanálise. Riscar e depredar lugares públicos incomoda muita gente, principalmente a quem tem a responsabilidade de mantê-los limpos e em ordem. Ângela Veridiana Moraes dos Santos, de 23 anos e Eloídes Alves Bueno, 42, são funcionárias da Unisinos e responsáveis pela limpeza e manutenção dos banheiros do Centro das Ciências da Comunicação. Elas contam que a limpeza é feita todos os dias pela manhã, tarde, noite e até de madrugada. Devido à grande quantidade de serviço nem sempre dá para limpar as portas dos sanitários diariamente. Mas o que as frustra é o fato de nem bem serem limpos e já aparecerem riscados e mal cuidados. “É um absurdo pessoas que estão na universidade, ainda por cima mulheres riscarem as portas dos banheiros dessa maneira e não valorizarem nosso trabalho” desabafa Eloídes. Ângela concorda com a colega e salienta que os escritos são, em sua maioria, palavras de baixo calão. “Talvez essas mulheres não tenham como dizer em casa o que sentem e procuram um lugar onde possam se expressar. E infelizmente, esse lugar é o banheiro” palpita.

Educação e respeito
De fato é desagradável entrar em um lugar sujo, riscado e mal cuidado. Dificilmente encontraremos banheiros domiciliares no mesmo estado. Ou será que alguém faz isso em sua própria casa?! O que leva essas pessoas a fazerem esse tipo de coisa, na opinião da estudante de Realização Audiovisual, Cristina Klein é a falta de maturidade. “Esse é o nosso patrimônio. Estamos pagando por ele e queremos um ambiente limpo e decente. Não se faz isso quando se está na escola, muito menos em uma universidade”.

Caminhando pelo Campus e analisando os estudantes é difícil identificar quem seria capaz desses atos de vandalismo e depredação. Sim, é assim que é vista essa atitude pela maioria das pessoas. É certo que motivos internos e externos devem desencadear tal comportamento. Mas as pessoas que não partilham da mesma atitude não a compreendem. Com certeza há muitas pessoas com os mesmos problemas relacionados à sexualidade e nem por isso saem riscando as portas e paredes que encontram pela frente.

É impressionante que essas coisas ocorram dentro de uma universidade e que pessoas com um nível maior de instrução se expressem dessa forma, depredando o patrimônio do lugar onde estudam”. Essa é a opinião de Soraia Zimmermann, estudante de Jornalismo. Com certeza é chocante. O mínimo que se espera de alguém que cursa uma universidade é educação, respeito e responsabilidade. Mas a psicóloga Rosane Castro lembra que esses valores não dependem do nível de escolaridade. É certo que há muita gente educada, respeitosa e responsável que não tenha completado o ensino médio. A questão que fica em voga e sem resposta é: que tipo de profissionais essas pessoas pretendem ser sem terem o mínimo desses valores morais?

A opinião continua unânime entre alunos. Ana Terra Ribeiro, acadêmica de Letras e Luciana Tieppo, de Nutrição concordam que é um desrespeito para com as demais pessoas que pagam pela universidade, utilizam os mesmos locais e os querem conservados. “É bem desagradável estudar em um local onde as pessoas sujam sem respeitar nem aquelas que limpam”, diz Ana Terra. Mas, conforme a psicóloga Rosana, os impulsos sexuais são mais fortes que a moral e os bons costumes. Para saber o que leva essas pessoas a cometerem esses atos seria necessária uma avaliação individual e aprofundada, já que cada caso é um caso.

E os banheiros masculinos?
Comparando os banheiros femininos com os masculinos se constata que as mulheres estão mais pornográficas. Se os homens também deixam recados à procura de um parceiro que compartilhe sua opção sexual, veremos que a sexualidade é menos expressa nas portas dos banheiros, ou exposta de maneira mais leve. Analisando as fotografias tiradas dos banheiros femininos o aluno de Física, Jackson Galvão, afirma que as portas dos sanitários masculinos não estão tão sujas e depredadas como as dos banheiros femininos. “Os homens riscam, mas bem menos que as mulheres”. Caio Conter, aluno de Jornalismo acrescenta que o assunto predominante nas portas dos banheiros masculinos é futebol. “Em segundo lugar vem o sexo. A diferença é que poucos rapazes deixam respostas, não é como as mulheres que abrem fóruns por escrito”.

Liberação feminina. Será?
Talvez o que ocorra é que mesmo com a modernidade e a liberação feminina as mulheres ainda se sintam reprimidas, discriminadas e sufocadas pelas opiniões machistas da nossa sociedade mascarada. Mas isso é motivo ou serve de habeas-corpus para quem picha paredes, portas, classes?

Rosane Cecchini salienta que talvez em outros locais essas pessoas mantenham uma conduta pública impecável. “Quem comete esses atos não faz isso como fato isolado. É parte de sua maneira de ser”.

Seja por problemas, brincadeiras ou imaturidade essa situação incomoda muita gente e é inaceitável para a grande maioria que isso ocorra dentro de uma instituição de nível superior, seja ela qual for. Será que a procura pela ajuda de profissionais especializados não ajudaria essas pessoas a resolverem seus problemas, além claro de acabar com a pichação dos lugares públicos? No extremo dos casos, talvez um psicólogo destine uma parede de seu consultório para exploração e satisfação dos pichadores mais compulsivos.

Tatiana Vasco.

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Este texto foi produzido para a cadeira de Redação Jornalística II. A versão editada foi publicada e mereceu capa no jornal Babélia que é distribuído gratuitamente pela AGEXCOM e também pode ser lido no Babélia On-line.

19 abril, 2005

Paulo Markun: paixão e controvérsia

“Essa profissão tem que servir para mudar o mundo, se não for para isso não adianta”.


Na última terça-feira (12/04), o Jornalista Paulo Markun esteve na Unisinos palestrando para os alunos de Comunicação Social, no Auditório de Ciências Jurídicas.

Markun nasceu em São Paulo em 1952 e é jornalista profissional há 34 anos. Atualmente apresenta o programa Roda Viva da TV Cultura e é presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual de Santa Catarina (Santacine), onde reside desde 1998.

Há sete anos no emprego atual, só pediu licença por quatro meses para fazer a campanha eleitoral do Presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Experiência

Markun contou um pouco de sua experiência como repórter, falou sobre o avanço tecnológico da informação, das qualidades de que um jornalista precisa ter para se dar bem na profissão, das dificuldades enfrentadas e do desafio dos portais de notícia e dos jornais impressos.

Paixão

Paulo Markun lamenta que o fator determinante na comunicação hoje seja o lucro e incentivou os estudantes a encararem o mercado de trabalho como um desafio. Para ele o bom jornalista tem que ter ambição, ousadia e determinação. “Para mim o Jornalismo era um complemento das atividades para mudar o mundo, mas com o tempo passou a ser a atividade principal”.

Por discordar da política editorial de alguns veículos midiáticos nos quais trabalhou, muitas vezes pediu demissão, e revelou que detesta fazer reportagem policial, principalmente na TV: “Não devemos arriscar o pescoço por uma notícia que não vai mudar nada no mundo, muito menos para dar audiência”.

Controvérsia

Um dos pontos mais polêmicos da palestra e que desagradou muitos alunos presentes foi quando Markun disse que é contra a obrigatoriedade do diploma na profissão. "Não vejo nada que impeça uma pessoa que não cursou faculdade de ser jornalista”.

Ele também critica o projeto para a criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), mas admite que o debate em torno da questão foi demonizado pela grande mídia em prol de seus interesses econômicos e finaliza: "se querem mudar alguma coisa que regulamentem o artigo 222 da Constituição".

OPINIÃO

A palestra de Paulo Markun gerou polêmica entre os presentes e divide a opinião dos universitários.
Se em determinado momento ele transmitiu aos alunos a paixão pelo jornalismo, dando incentivo e inspiração para os futuros profissionais, em outro causou revolta.

Quando Markun declarou que é contra a obrigatoriedade do diploma acadêmico alguns alunos se retiraram do recinto (inclusive eu).
Ora, é fácil falar para quem já é formado! Imaginem se qualquer um resolver ser médico de um dia para o outro, sem faculdade para isso, claro. Você entregaria sua vida nas mãos desse aspirante à profissional? Bem para isso existe um Conselho Federal de Medicina.

Bem, se Paulo Markun não sabe o que impede que qualquer um atue no jornalismo mesmo sem ter diploma, eu respondo: é o fato de investirmos nosso precioso e muitas vezes escasso dinheiro em anos de faculdade!

Conheço três pessoas que se dizem jornalistas, são donas do seu próprio jornal e talvez não tenham nem o segundo grau. Além de elas ocuparem o lugar de profissionais no mercado de trabalho eu pergunto: podemos confiar em veículos que publicam informação sem o mínimo de teoria para isso? Sem falar na qualidade e na ética desse jornalismo, claro!

Bem, em minha opinião há um meio eficaz e realmente necessário para a solução desse problema: a aprovação do Conselho Federal de Jornalismo.

Afinal somos nós quem devemos decidir e lutar pela nossa futura profissão. Paulo Markun já está quase se aposentando!!!

Tatiana Vasco

PERFIS FALSOS NO ORKUT ACABAM EM CADEIA!