Confesso que me sinto estranha em escrever um título desses e já
explico o motivo. Antes preciso dizer que valorizo muito a formação de
nível superior para qualquer profissão, mas confesso que tem coisas que
conseguem me fazem repensar o diploma em Jornalismo, porque demonstram
que em alguns casos o estudo não garante aprendizado. E entre essas
coisas está a confusão que alguns
jornalistas fazem com as nomenclaturas, razão pela qual achei estranho
escrever o presente título. Primeiro que jornalismo é uma profissão e
assessoria de imprensa é função dessa profissão, uma das muitas funções,
aliás, portanto um jornalista não pode exercer a “profissão” de
assessor de imprensa. Faça o que eu não consegui fazer: se finja de cego
se ler isso algum dia. Para ficar claro, todo assessor de imprensa é
jornalista, mas nem todo jornalista é assessor de imprensa, alguns são
fotojornalistas, outros são repórteres, outros são apresentadores,
outros, redatores, enfim. Da mesma forma nem todo radialista é
jornalista. Há diferenças entre as profissões, diferenças não só de
nomenclatura, mas de atribuições, e unidades sindicais e representativas
distintas. Todo jornalista é radialista, mas nem todo radialista é
jornalista. E isso continua sendo assim, porque mesmo com a decisão
(inconstitucional) do STF, os Sindicatos dos Jornalistas de todos os
estados brasileiros e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) não
emitem registro profissional sem apresentação de diploma de ensino
superior em Jornalismo.
Agora vamos à função de assessoria de imprensa
O que é uma assessoria de imprensa? É o serviço prestado a instituições
públicas e privadas, que se concentra na elaboração e envio frequente
de informações jornalísticas dessas organizações para os veículos de
comunicação em geral e é feito por jornalistas, eles é que determinam o
que é ou não notícia para ser enviado, além de capacitarem o assessorado
para entender e lidar com a imprensa. Não é fácil desempenhar a função,
mesmo que o assessorado tenha noção de mídia. Geralmente o jornalista
que atua como assessor de imprensa entende a necessidade informativa dos
veículos de imprensa, mas ao mesmo tempo precisa atender aos anseios do
assessorado, seja ele público ou privado. Hoje é difícil existir um
órgão que não tenha uma assessoria de imprensa, é ela que garante que a
marca e/ou produto de uma empresa esteja nos principais veículos de
comunicação, e que a população fique por dentro das principais ações dos
governos municipais, estaduais e federal. Sem as assessorias de
imprensa os veículos de comunicação teriam que trabalhar dobrado, ter um
quadro muito maior de profissionais para atender a demanda e ainda
assim não conseguiriam a mesma quantidade de notícias.
Mas essa função jornalística tem credibilidade?
Como a função da assessoria de imprensa é promover e manter uma imagem positiva de seus assessorados há quem coloque em dúvida a seriedade do jornalista que a desempenha. Isso pode ser compreensível vindo de quem não é da área, mas é correto um jornalista dizer isso? Um assessor de imprensa não é um jornalista sério? Para responder isentamente a essa pergunta, conversei Pedro Osório, jornalista, especialista em Sociologia, mestre em Comunicação Social e presidente da Fundação Cultural Piratini, além de ter sido meu professor de Assessoria de Imprensa na Unisinos. Pelo Facebook ele me respondeu: “É incorreto e afronta a ética. Há quem diga que repórter e assessor representam interesses antagônicos. São retrógrados, os que acham isso. O jornalista assessor de imprensa desempenha um papel de grande relevância social, disponibilizando informações, articulando o discurso de variados grupos, praticamente dando-lhes voz, na medida em que a faz chegar à mídia. Por certo defende determinados interesses, balizado pela ética. Não trai a sociedade. Jornalistas que trabalham em veículos de comunicação também defendem determinados interesses, igualmente balizados pela ética. Nas duas funções temos profissionais que ignoram os preceitos éticos. O assessor representa uma organização ou um grupo social; o repórter (tomando-o como símbolo do jornalista de veículos) representa a sociedade, em tese. Isso pode lhe dar maior relevo, mas não o torna mais nobre, nem mais jornalista. Ele sempre precisará de determinadas fontes, e lá encontrará os assessores de imprensa”. Não é preciso dizer mais nada, porém quero salientar que em minha opinião o jornalista que não confia no trabalho de um assessor de imprensa, deve levantar o bumbum da cadeira e ir à labuta, em vez de esperar por seus releases prontinhos.
Mas essa função jornalística tem credibilidade?
Como a função da assessoria de imprensa é promover e manter uma imagem positiva de seus assessorados há quem coloque em dúvida a seriedade do jornalista que a desempenha. Isso pode ser compreensível vindo de quem não é da área, mas é correto um jornalista dizer isso? Um assessor de imprensa não é um jornalista sério? Para responder isentamente a essa pergunta, conversei Pedro Osório, jornalista, especialista em Sociologia, mestre em Comunicação Social e presidente da Fundação Cultural Piratini, além de ter sido meu professor de Assessoria de Imprensa na Unisinos. Pelo Facebook ele me respondeu: “É incorreto e afronta a ética. Há quem diga que repórter e assessor representam interesses antagônicos. São retrógrados, os que acham isso. O jornalista assessor de imprensa desempenha um papel de grande relevância social, disponibilizando informações, articulando o discurso de variados grupos, praticamente dando-lhes voz, na medida em que a faz chegar à mídia. Por certo defende determinados interesses, balizado pela ética. Não trai a sociedade. Jornalistas que trabalham em veículos de comunicação também defendem determinados interesses, igualmente balizados pela ética. Nas duas funções temos profissionais que ignoram os preceitos éticos. O assessor representa uma organização ou um grupo social; o repórter (tomando-o como símbolo do jornalista de veículos) representa a sociedade, em tese. Isso pode lhe dar maior relevo, mas não o torna mais nobre, nem mais jornalista. Ele sempre precisará de determinadas fontes, e lá encontrará os assessores de imprensa”. Não é preciso dizer mais nada, porém quero salientar que em minha opinião o jornalista que não confia no trabalho de um assessor de imprensa, deve levantar o bumbum da cadeira e ir à labuta, em vez de esperar por seus releases prontinhos.

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